GEO, Engenharia de Autoridade Digital

Agências na era do GEO e AEO: estrutura, papéis e quem responde pela marca

Os modelos que as agências adotam para GEO e AEO, os papéis novos, o que medir e como a empresa decide quem responde pela marca nas respostas de IA.

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Estrategista de agência em sala escura levanta a mão como uma regente enquanto feixes de luz índigo e violeta vindos de várias direções se encontram em uma esfera de luz diante dela

Resposta direta

As agências estão deixando de operar volume para orquestrar SEO, conteúdo, relações públicas, dados e tecnologia em torno de uma pergunta: o que a IA diz sobre a marca. Quatro modelos aparecem: célula especializada, consultoria transversal, integração pela reputação e operação integrada de autoridade. Em qualquer um, o resultado depende de haver um dono da resposta e metas comuns.

Fontes verificadas em 10/10/2026.

Em 29/05/2026, o Meio & Mensagem publicou a reportagem Como as agências se estruturam para a era do GEO e AEO?, de Giovana Oréfice. Lideranças de Monks, Dentsu, Song e 404 Innovation Studio, mais a forma como a Accenture organiza o trabalho, descreveram a mesma virada: a agência que executava em volume passa a coordenar disciplinas que antes trabalhavam separadas.

Quatro meses depois, o debate continua. Em 09/10/2026, o mesmo veículo publicou um artigo de opinião sobre o que o GEO muda nas relações públicas. A pergunta de fundo não é mais em que posição a marca aparece, e sim o que os sistemas de IA dizem que ela é, e quem, dentro da empresa e da agência, responde por isso.

Este artigo reúne o que as agências disseram, os dados que explicam a pressa, os quatro modelos de estrutura que estão surgindo, os papéis novos, a mudança na medição e uma matriz para decidir quem responde pela marca nas respostas de IA.

Por onde começar, conforme seu papel

O que as agências disseram ao Meio & Mensagem

Na reportagem de 29/05/2026, as agências descreveram a mesma mudança de papel: sair da execução em volume e passar a orquestrar estratégia, dados, conteúdo e reputação. Cada uma pôs a ênfase em um ponto diferente, e a soma dos pontos mostra o que a estrutura precisa cobrir.

Quem falou O que disse O que isso pede da estrutura
Pedro Milanezi, vice-presidente de mídia e data da Monks no Brasil Excelência técnica e conteúdo útil e fácil de escanear deixaram de ser diferencial e viraram pré-requisito. As equipes de operadores viram orquestradoras, e as IAs valorizam conteúdo com dados, credenciais e prova social. SEO técnico e conteúdo com evidências como base, e não como serviço extra
Silvia Visani, head de Data & Insights da Dentsu Brasil As agências passam a ser "guardiãs da verdade digital da marca", parceiras capazes de ligar tecnologia, dados, reputação e objetivos de negócio. Dados, reputação e negócio na mesma conversa
Carolina Amaral, diretora da Song A jornada vai e volta entre IA, buscador, redes sociais e site do varejista. A mídia paga segue essencial para capturar a demanda na conversão. Os desafios são a velocidade, a fragmentação da responsabilidade, porque o GEO é transversal, e a mensuração. Alguém que seja dono de um tema que atravessa várias áreas
Rafael Caldeira, CCO da 404 Innovation Studio A recomendação de um sistema de IA depende de autoridade, contexto e relevância construídos ao longo do tempo. A maior vantagem competitiva é "orquestração e critério". Relações públicas, conteúdo e cultura trabalhando juntos, de forma contínua
Accenture (sem porta-voz citado) Organiza o trabalho em quatro frentes: estratégia de GEO como governança contínua, conteúdo pensado para IA em escala, monitoramento integrado ao negócio e preparação da tecnologia. Inclui o share of voice nos modelos de linguagem e a compra feita por agentes de IA. Processo contínuo, com tecnologia e medição, e não um projeto com começo e fim

Do lado dos anunciantes, a reportagem registra duas demandas: saber como a marca aparece nos conteúdos gerados por IA e conferir se informações como preços, serviços, benefícios, ingredientes e diferenciais estão corretas nessas respostas. A reportagem também lista o que as agências precisam resolver: capacitação técnica das equipes, atualização constante de ferramentas e mudança de cultura, inclusive nos clientes.

O debate seguiu no mesmo veículo. Em 28/05/2026, Thiago Fernandes, chief media e data officer da iD\TBWA, defendeu na entrevista Como aparecer nas respostas da IA? trocar o clique como métrica principal por métricas de atenção. Em 09/10/2026, Lucia Faria, sócia-diretora da LF & Cia e diretora da APP, escreveu no artigo de opinião O que o GEO PR muda de verdade nas relações públicas que a pergunta deixa de ser onde a marca aparece e passa a ser o que dizem que ela é.

Por que a estrutura virou o problema

A estrutura virou problema porque a resposta passou a acontecer antes do clique, e porque o que mais pesa nessa resposta está fora do site e fora da área que costumava cuidar da busca. Os dados publicados entre 2024 e 2026 mostram as duas coisas.

O que os dados mostram Fonte e data Natureza do dado
58,5% das buscas no Google nos Estados Unidos e 59,7% na União Europeia terminaram sem clique. É o "quase 60%" citado pela Monks na reportagem. SparkToro, estudo de buscas sem clique de 2024, com o painel de navegação da Datos (setembro de 2022 a maio de 2024) Medição em painel
Com um resumo de IA na página, 8% das visitas tiveram clique em um resultado tradicional, contra 15% sem o resumo. Só 1% clicou em um link dentro do resumo, e 26% encerraram a navegação ali, contra 16%. Pew Research Center, Google users are less likely to click on links when an AI summary appears in the results (22/07/2025), com 900 adultos dos Estados Unidos em março de 2025 Medição do comportamento real
O tráfego vindo da busca por IA pode superar o da busca tradicional no início de 2028, em temas de marketing digital e SEO. O visitante vindo de IA vale, em média, 4,4 vezes o orgânico, pela taxa de conversão. Semrush, estudo sobre tráfego de busca por IA (21/07/2025) Projeção, com premissas declaradas
O Modo IA do Google chegou em português ao Brasil. Meio & Mensagem, Google lança versão em português da ferramenta Modo IA (08/09/2025) Fato
32% dos usuários de internet no Brasil, cerca de 50 milhões de pessoas, usam IA generativa. Cetic.br, divulgação da TIC Domicílios 2025 (09/12/2025), com coleta de março a agosto de 2025 Pesquisa amostral
As menções da marca na web têm correlação de 0,664 com a visibilidade nas Visões gerais do Google. Os backlinks ficam em 0,218. Ahrefs, análise de fatores de visibilidade de marca em AI Overviews (26/05/2025, atualizada em 27/04/2026), com cerca de 75 mil marcas Correlação, não causalidade
Cerca de 84% dos links citados por ChatGPT, Claude e Gemini vêm de mídia conquistada, e cerca de 27% são jornalismo. Conteúdo pago foi 0,3%. Muck Rack, What Is AI Reading? (maio de 2026), com mais de 25 milhões de links Medição de fornecedor de ferramentas de comunicação
Os CMOs destinam, em média, 15,3% do orçamento de marketing à IA, mas só 30% dizem ter capacidade madura para escalar o uso. Gartner, 2026 CMO Spend Survey (11/05/2026), com 401 líderes de marketing da América do Norte, do Reino Unido e da Europa Pesquisa com executivos

Nossa leitura

As duas últimas linhas explicam a reportagem. O que mais pesa na resposta da IA, como menções, imprensa e reputação, fica fora do site e fora do time que cuidava de SEO. E as empresas estão investindo em IA mais depressa do que se organizam para usá-la. Uma agência que só acrescenta um serviço novo de GEO, sem mudar quem responde pelo quê, repete a fragmentação que o mercado já reconhece.

Linha do tempo: como o tema chegou às agências

  • 16/11/2023: o artigo GEO: Generative Engine Optimization, de pesquisadores liderados por Pranjal Aggarwal, é publicado no arXiv e dá nome à disciplina.
  • 2024: o estudo da SparkToro mostra que perto de 60% das buscas no Google terminam sem clique.
  • 21/05/2025: a Edelman lança o GEOsight, oferta de GEO puxada por relações públicas.
  • Julho de 2025: Pew Research e Semrush publicam os dados sobre cliques com resumo de IA e a projeção de tráfego para 2028.
  • 08/09/2025: o Modo IA do Google chega em português.
  • 29/10/2025: o AdNews noticia o estudo Do SEO ao GEO, da Monks com a Semrush, com dados de citações nas Visões gerais do Google no Brasil.
  • 31/12/2025: o Google atualiza o documento Recursos de IA e seu site.
  • 09/03/2026: o Gartner publica o Market Guide for Answer Engine Visibility Tools, segundo comunicado da Semrush de 07/07/2026.
  • 20/04/2026: a 404 Innovation Studio junta relações públicas, creators, conteúdo e estratégia cultural, segundo o Meio & Mensagem.
  • Maio de 2026: saem a pesquisa de CMOs do Gartner, o relatório da Muck Rack e a reportagem do Meio & Mensagem sobre a estrutura das agências.
  • 09/10/2026: o debate chega às relações públicas, com o artigo de opinião sobre GEO PR.

GEO e AEO atravessam cinco disciplinas

A resposta de uma IA sobre uma marca é montada com peças que, nas empresas e nas agências, costumam ficar em cinco áreas diferentes. É por isso que Carolina Amaral, da Song, apontou a fragmentação da responsabilidade como um dos três desafios do tema, e que Rafael Caldeira, da 404, disse ao Meio & Mensagem em 20/04/2026 que considera um grande problema quem discute GEO e AEO não ser quem cuida da reputação.

Disciplina O que entrega para a resposta da IA Onde costuma ficar O risco quando trabalha sozinha
SEO técnico e site Acesso dos rastreadores, indexação, páginas rápidas e dados estruturados coerentes com o texto Agência de SEO ou de desenvolvimento, TI A IA lê o site, mas não encontra fora dele nada que confirme o que o site diz
Conteúdo Trechos que respondem sozinhos a uma pergunta, com dados, autoria e data Agência de conteúdo, time editorial Volume sem evidência: texto que ninguém cita
Relações públicas e reputação Menções na imprensa, avaliações, fóruns e especialistas que falam da marca Assessoria de imprensa Presença na mídia que não conversa com os temas e as páginas que a marca quer ver associados a ela
Dados e medição Monitoramento de presença, citações, acurácia e tráfego vindo dos assistentes BI, time de mídia Relatórios de clique que não mostram o que a IA diz
Marca e informação oficial Nome, posicionamento, preços, serviços e diferenciais iguais em todos os canais Marketing, produto, jurídico A IA repete informação errada ou antiga, porque ninguém é dono da versão oficial

As duas metades pesam. Do lado técnico, o estudo Do SEO ao GEO, da Monks com a Semrush, encontrou dados estruturados em mais de 83% das páginas citadas pelas Visões gerais nos setores de educação e finanças, segundo o AdNews (29/10/2025). Do lado externo, a correlação das menções de marca medida pela Ahrefs e a presença da mídia conquistada no relatório da Muck Rack mostram que a reputação construída fora do site entra na resposta. O passo a passo da parte que fica no site está no guia de como ser citado pela IA, e a parte de imprensa com dados próprios, na página de Data-Driven PR.

Os quatro modelos de estrutura que estão surgindo

Pelo que as agências anunciaram e declararam entre 2025 e 2026, a reorganização segue quatro modelos. A classificação é nossa leitura, feita a partir do que cada empresa disse publicamente. Nenhum modelo é certo para todos; o que muda é quem responde pelo resultado e o que fica de fora.

Modelo Como funciona Exemplo público Ponto forte Ponto de atenção
1. Célula especializada Um time de GEO ao lado de SEO, mídia ou dados, com ferramentas de monitoramento e estudos próprios A Monks, com a área de mídia e data e o estudo Do SEO ao GEO, feito com a Semrush Profundidade técnica e medição Depende de outras áreas, ou de outras agências, para reputação e conteúdo
2. Consultoria transversal GEO como governança contínua, com conteúdo em escala, monitoramento ligado ao negócio e preparação da tecnologia A Accenture, com as quatro frentes descritas ao Meio & Mensagem Escala e integração com sistemas e comércio eletrônico Implantação longa, pensada para grandes estruturas
3. Integração pela reputação Relações públicas, creators, conteúdo e cultura sob um mesmo pilar, com métricas que comparam mídia paga, orgânica e própria A 404 Innovation Studio, com o engagement design, e a Edelman, com o GEOsight Força na mídia conquistada, que domina as citações A parte técnica do site pode ficar com outro fornecedor
4. Operação integrada de autoridade Um único time responde por site, conteúdo, relações públicas orientadas por dados, marca e medição, com um método e metas comuns É o modelo em que a Flowup trabalha, organizado pelo Método B.I.N.A. Um dono da resposta e menos passagem de bastão entre fornecedores Exige equipe multidisciplinar e escopo bem priorizado
Diretor de agência sentado a uma mesa escura estende as duas mãos: da mão esquerda saem cinco feixes de luz separados; da direita, os mesmos feixes se trançam em um só cordão que termina em uma esfera de luz.
As mesmas disciplinas, separadas ou trançadas: a resposta da IA sobre a marca nasce da junção, e não de cada área sozinha.

A Edelman, por exemplo, apresentou o GEOsight em 21/05/2025 como uma oferta que junta posicionamento em mídia, estrutura de conteúdo, auditorias de visibilidade no ChatGPT, no Gemini e no Copilot e monitoramento de risco de reputação. No comunicado, a própria agência afirma que o conteúdo conquistado responde por 90% da visibilidade nas respostas de IA, número que ela não detalha. Já a 404 informou ao Meio & Mensagem, em 20/04/2026, que passou a unificar métricas para comparar mídia paga, orgânica e própria.

Para a empresa que contrata, a pergunta útil não é qual modelo parece mais moderno, e sim qual deles deixa menos lacunas para a situação dela. Uma empresa grande, com várias agências, tende a precisar do modelo 2 ou de uma coordenação forte entre os fornecedores. Uma empresa média ou B2B tende a ganhar com uma frente só. A comparação entre tipos de agência, com critérios para avaliar qualquer fornecedor, está no artigo Agência de SEO vs. Engenharia de Autoridade Digital.

Da operação à orquestração: os papéis novos

Orquestrar, na prática, é ter pessoas responsáveis por ligar as disciplinas, e não só por executar cada uma delas. Pelos relatos ao Meio & Mensagem e pelas ofertas lançadas, seis funções aparecem com frequência. Os nomes são nossos; os cargos variam de agência para agência.

  • Estrategista da resposta: é o dono da pergunta "o que a IA diz sobre a marca". Escolhe os temas e as perguntas que importam para o negócio e define as metas comuns.
  • Analista de visibilidade em IA: acompanha presença, citações e acurácia no ChatGPT, no Gemini, no Perplexity e nas Visões gerais e no Modo IA do Google.
  • Editor de evidências: transforma o conhecimento da empresa em dados próprios, estudos e trechos citáveis, com autoria e data. É o que Pedro Milanezi descreve quando diz que as IAs valorizam dados, credenciais e prova social.
  • Relações públicas orientadas por dados: levam esses dados à imprensa e às fontes que as IAs leem. Para Thiago Fernandes, da iD\TBWA, isso inclui Wikipedia, Reddit, YouTube e LinkedIn, com preferências diferentes em cada modelo.
  • Engenharia de conteúdo e site: cuida do acesso dos rastreadores, dos dados estruturados, da velocidade e da organização das páginas.
  • Guardião da informação oficial: mantém preços, serviços, endereços e diferenciais iguais em todos os canais e corrige o que a IA repete errado. É a função que Silvia Visani, da Dentsu, chamou de guarda da verdade digital da marca.

Montar essas funções esbarra nos desafios que a reportagem listou: capacitação técnica, ferramentas que mudam todo mês e cultura. O dado do Gartner ajuda a medir o tamanho do problema: na pesquisa de 11/05/2026, 70% dos CMOs reconhecem que seus processos ainda não estão maduros o bastante para implantar e escalar IA.

Nossa leitura

O cargo novo importa menos do que a rotina nova. Uma reunião mensal em que SEO, conteúdo, relações públicas e dados olham juntos o que a IA disse sobre a marca, e decidem o que corrigir, resolve mais do que contratar um especialista em GEO que trabalha sozinho.

O que muda na medição

A medição deixa de olhar só para o clique e passa a olhar a presença da marca dentro da resposta. A razão está nos dados do Pew: com um resumo de IA na tela, só 1% das visitas clicou em um link do próprio resumo. A marca pode ser recomendada sem receber a visita.

O que se media O que entra
Posição média no ranking Presença e frequência de citação da marca nas respostas, por tema
Cliques orgânicos Tráfego vindo dos assistentes e crescimento das buscas pelo nome da marca
Volume de matérias publicadas Menções em fontes que os modelos de fato citam
Taxa de clique Acurácia do que a IA diz sobre preços, serviços e diferenciais
Relatório separado por área Painel único, com metas comuns para SEO, conteúdo e relações públicas

As agências do Meio & Mensagem citam esse movimento: a Accenture inclui o share of voice nos modelos de linguagem, e Thiago Fernandes, da iD\TBWA, fala em métricas de atenção. As ferramentas ainda estão se formando. O Gartner publicou em 09/03/2026 um guia de mercado para ferramentas de visibilidade em mecanismos de resposta, segundo o comunicado da Semrush de 07/07/2026, um sinal de que a categoria entrou no orçamento de tecnologia de marketing.

O método completo, com as quatro camadas de presença, acurácia, tráfego e conversão e a configuração do analytics, está no artigo sobre como medir a visibilidade em IA.

Maturidade por setor

A maturidade varia por setor, e as agências ouvidas pelo Meio & Mensagem descrevem dois grupos. Educação, finanças e saúde avançam mais, porque dependem de confiança, precisão e credibilidade. Varejo, tecnologia e beleza tratam a IA como central, porque o consumidor já usa agentes para comparar e escolher produtos.

Setor O que pesa mais Dado de apoio
Finanças Credibilidade, imprensa e dados estruturados Jornalismo foi 32,1% das citações no setor, segundo a Muck Rack (maio de 2026)
Educação Páginas bem estruturadas e informação precisa Mais de 83% das páginas citadas pelas Visões gerais tinham dados estruturados, segundo o estudo da Monks com a Semrush; jornalismo foi 18,9% das citações, segundo a Muck Rack
Saúde Confiança e fontes de referência Setor citado pelas agências entre os mais avançados
Varejo e beleza Informação de produto correta, avaliações e presença onde os agentes comparam A compra feita por agentes ainda é limitada, segundo Thiago Fernandes (28/05/2026)
Tecnologia e B2B Conteúdo técnico com evidências e especialistas com nome Segundo Fernandes, as IAs privilegiam perfis de profissionais no LinkedIn em vez de páginas de empresas

Em vendas B2B, a pesquisa acontece antes do primeiro contato com o fornecedor, e a IA entrou nessa etapa. O tema está no artigo sobre a jornada de compra B2B.

O que GEO e AEO não são

GEO e AEO não são uma técnica secreta nem uma disciplina que substitui as outras. O Google informa, no documento Recursos de IA e seu site (atualizado em 31/12/2025), que não há requisitos adicionais nem otimizações especiais para aparecer nas Visões gerais e no Modo IA, e que os fundamentos de SEO continuam valendo.

  • Não é atalho. O artigo que deu nome ao GEO, publicado no arXiv em 16/11/2023, mediu ganhos de até 40% de visibilidade em um ambiente de teste. É um resultado experimental, e não uma meta que se possa prometer a um cliente.
  • Não é obsessão por volume. Lucia Faria alerta, no artigo de 09/10/2026, que otimizar só para aparecer no ChatGPT troca uma obsessão por volume por outra. O objetivo é autoridade nos temas ligados ao negócio.
  • Não é mídia paga. Os anúncios dentro dos assistentes são um canal à parte, como explicamos no artigo sobre os anúncios no ChatGPT. A citação na resposta vem de fontes não pagas.
  • Não é só o site. Do lado de fora, o que a imprensa, os clientes e os especialistas dizem pesa tanto quanto as páginas.

O que ainda não se sabe

  • Não há padrão de mercado para medir o share of voice em IA. As ferramentas usam conjuntos de perguntas diferentes, e os números não se comparam entre elas.
  • As datas em que o tráfego vindo de IA passaria o da busca tradicional, como a de 2028, são projeções, com premissas declaradas por quem as fez.
  • A compra feita por agentes ainda é restrita. Segundo Thiago Fernandes, em 28/05/2026, Amazon e Mercado Livre bloqueavam o acesso de bots de IA para compras.
  • As fontes preferidas mudam entre modelos e com o tempo. No relatório da Muck Rack, os comunicados de imprensa caíram de 6% para 1,1% das citações entre dezembro de 2025 e maio de 2026.

Quem responde pela marca na IA: uma matriz de responsabilidade

A forma mais simples de evitar a fragmentação é escrever, para cada frente, quem decide, quem executa e quem precisa ser consultado. A matriz abaixo é um ponto de partida; os nomes das áreas mudam de empresa para empresa, mas a regra é que cada frente tenha um responsável só.

Frente Quem decide, na empresa Quem executa, na agência ou no time integrado Quem é consultado
Temas e perguntas prioritárias Liderança de marketing Estrategista da resposta Comercial e produto
Informação oficial: preços, serviços, diferenciais Produto, com o jurídico quando houver regra do setor Guardião da informação oficial e time do site Atendimento
Site e dados estruturados Marketing, com a TI Engenharia de conteúdo e site Segurança da informação
Conteúdo com evidências e dados próprios Marketing Editor de evidências Especialistas internos
Imprensa e fontes externas Comunicação Relações públicas orientadas por dados Diretoria e porta-vozes
Medição e metas comuns Liderança de marketing Analista de visibilidade em IA BI e financeiro

Com a matriz definida, a ordem de trabalho costuma ser esta:

  1. Ver o ponto de partida: o que os assistentes dizem hoje sobre a marca nas perguntas que importam, se o que dizem está correto e quem, hoje, cuida de cada frente.
  2. Nomear o dono e as metas comuns: uma pessoa responde pela pergunta "o que a IA diz sobre nós", e as áreas passam a ser medidas pelos mesmos indicadores.
  3. Corrigir a base: informação oficial consistente e site acessível e bem estruturado, antes de produzir mais.
  4. Construir autoridade: conteúdo com dados próprios e relações públicas que levem esses dados às fontes que os modelos leem, com Growth Content quando o volume se justifica.
  5. Medir e ajustar todo mês: presença, acurácia, tráfego e conversão, no mesmo painel.

As faixas de investimento e os formatos de contratação estão no artigo sobre quanto investir em GEO e AEO. Os termos usados aqui estão no glossário de GEO e AEO.

Em resumo

  • As agências ouvidas pelo Meio & Mensagem em 29/05/2026 descrevem a mesma virada: de operadoras de volume para orquestradoras de estratégia, dados, conteúdo e reputação.
  • A estrutura virou problema porque a resposta acontece antes do clique e porque o que mais pesa nela, como menções e mídia conquistada, fica fora do site.
  • Quatro modelos estão surgindo: célula especializada, consultoria transversal, integração pela reputação e operação integrada de autoridade.
  • A medição passa do clique para a presença, a acurácia e o tráfego vindo dos assistentes, e ainda não tem padrão de mercado.
  • Em qualquer modelo, o que decide é ter um dono da pergunta "o que a IA diz sobre nós" e metas comuns entre as áreas.

Perguntas frequentes

O que são GEO e AEO?

GEO (Generative Engine Optimization) é o trabalho para que uma marca seja encontrada, entendida e citada nas respostas de sistemas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini e as Visões gerais do Google. AEO (Answer Engine Optimization) tem o mesmo objetivo, com foco nos mecanismos que entregam uma resposta pronta. O termo GEO ganhou forma em um artigo acadêmico publicado no arXiv em 16/11/2023.

GEO é o mesmo que SEO?

Não, mas parte da mesma base. O Google informa que aparecer nas Visões gerais e no Modo IA não exige requisitos adicionais nem otimizações especiais além dos fundamentos de SEO. O GEO soma a isso o que acontece fora do site, como menções na imprensa, avaliações e a consistência das informações da marca, e a medição da presença dela nas respostas.

Preciso contratar uma agência só de GEO?

Depende do que já existe. Uma empresa com SEO, conteúdo e assessoria de imprensa bem feitos pode precisar de quem integre essas frentes e meça a presença nas respostas de IA, e não de mais um fornecedor. O risco de contratar GEO isolado é criar outra área sem dono do resultado, que é justamente o problema que as próprias agências apontam.

Quem deve ser o responsável por GEO dentro da empresa?

Uma pessoa com autoridade sobre as áreas que formam a resposta da IA: site, conteúdo, comunicação e dados. Em empresas médias, costuma ser a liderança de marketing. Em grandes, um grupo com marketing, comunicação e produto, com uma pessoa que decide. O essencial é haver um dono da pergunta "o que a IA diz sobre nós", com metas comuns.

Como medir o resultado de GEO e AEO?

Com quatro grupos de indicadores: presença e citação da marca nas respostas, acurácia do que a IA diz, tráfego que chega dos assistentes e conversão desse tráfego. A medição ainda não tem padrão de mercado. O Gartner publicou em 09/03/2026 um guia de mercado para as ferramentas de visibilidade em mecanismos de resposta, sinal de uma categoria em formação.

A mídia paga aparece nas respostas da IA?

Quase nunca como fonte. No levantamento What Is AI Reading?, da Muck Rack, de maio de 2026, conteúdo pago ou publicitário foi 0,3% dos links citados por ChatGPT, Claude e Gemini, e a mídia conquistada respondeu por cerca de 84%. A mídia paga segue útil para capturar demanda na hora da compra, mas não substitui reputação.

Quais setores estão mais avançados em GEO e AEO?

Segundo as agências ouvidas pelo Meio & Mensagem em 29/05/2026, educação, finanças e saúde avançam mais, porque dependem de confiança, precisão e credibilidade. Varejo, tecnologia e beleza tratam a IA como central, porque o consumidor já usa assistentes para comparar e escolher produtos.

Fontes: Meio & Mensagem, Como as agências se estruturam para a era do GEO e AEO? (29/05/2026), Como aparecer nas respostas da IA? (28/05/2026), 404 integra disciplinas mirando reputação a longo prazo (20/04/2026), O que o GEO PR muda de verdade nas relações públicas (09/10/2026) e Google lança versão em português da ferramenta Modo IA (08/09/2025); AdNews, Do SEO ao GEO: estudo revela mudanças no comportamento de busca na era da IA (29/10/2025); SparkToro, 2024 Zero-Click Search Study (2024); Pew Research Center, Google users are less likely to click on links when an AI summary appears in the results (22/07/2025); Semrush, AI Search and SEO Traffic Study (21/07/2025) e comunicado sobre o Gartner Market Guide for Answer Engine Visibility Tools (07/07/2026); Google, Recursos de IA e seu site (31/12/2025); Ahrefs, An Analysis of AI Overview Brand Visibility Factors (26/05/2025, atualizado em 27/04/2026); Muck Rack, What Is AI Reading? (maio de 2026); Edelman, Edelman introduces GEOsight (21/05/2025); Gartner, 2026 CMO Spend Survey (11/05/2026); Cetic.br, TIC Domicílios 2025 (09/12/2025); Aggarwal e outros, GEO: Generative Engine Optimization (16/11/2023). Consultadas em 10/10/2026.

O que a IA diz hoje sobre a sua marca?

Antes de escolher um modelo de estrutura, vale saber o ponto de partida: se os assistentes citam a marca nas perguntas que importam, se o que dizem está certo e quais fontes eles usam. É a informação que mostra qual frente atacar primeiro e quem precisa estar na mesa. Não basta ranquear. Seja a resposta.

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Sobre o autor

Retrato de Guto Bertoncini

Guto Bertoncini

Fundador e estrategista-líder da Flowup Agency

Guto Bertoncini é fundador e estrategista-líder da Flowup Agency, que conduz desde 2011. É o autor do Método B.I.N.A., do Novo SEO e da Base Informacional Semântica, e lidera a prática de SEO para IA, GEO e AEO da agência, preparando empresas para serem encontradas no Google e citadas pelas plataformas de inteligência artificial. Escreve sobre busca e IA no blog da Flowup e no seu site oficial.

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